Já faz mais de uma década que a Stern defende sozinha o território dos pinballs. O destino de solidão foi rascunhado em 1999: naquele ano, a Williams Manufacturing Company, então uma das remanescentes desse segmento, decidiu concentrar sua área de entretenimento na WMS Gaming, fabricante de caça-níqueis e divertimentos do gênero. Também em 1999, a Sega, fabricante de jogos eletrônicos como o Sonic, um de seus maiores sucessos e mascote da empresa desde 1991 seguiu a decisão da concorrente e se desfez da linha de produção de pinballs.
Seria o fim se Gary Stern não tivesse aparecido. Filho de Samuel Stern, um profissional que se dedicou à indústria do pinball por 50 anos – e que presidiu a Williams Manufacturing, Gary comprou da Sega a área que a empresa queria fechar. A transação não apenas garantiu a sobrevivência de um segmento inteiro da economia como reatou criatura e criador: a divisão de pinballs da Sega tinha sido comprada por ela em 1994 e ela, então sob o nome de Data East, pertencia a Gary na época.
Já vão longe os dias em que a Stern produzia 27 mil máquinas por ano, mas o número atual, de dez mil unidades, está estabilizado há pelo menos seis anos. E a companhia, localizada nas cercanias de Chicago, nos Estados Unidos – uma espécie de “Vale do Silício” da indústria do pinball até a década de 1990 –, ampliou seu time de profissionais com contratações de designers, programadores e operários para a montagem.É de se supor que, com a concorrência de um PlayStation, um Xbox, um Wii, a vida da Stern não seja exatamente fácil. Um jogo grande, pesado e imutável, com sua bola de prata que roda pelo tabuleiro para saltar rampas, fugir de buracos, acender luzes e espocar plips e tóins, pode ter pouco apelo a quem já se habituou a jogos “baixáveis” na internet ou intercambiáveis em CDs e discos de Blu-ray. Mas um capitalista não estaria há 12 anos se mantendo no mercado apenas para não deixar morrer sua paixão de infância.
“Sempre haverá demanda pelo pinball”, diz Gary Stern. “A relevância do jogo vai depender muito de nós e de nossa equipe, um time de apaixonados pelo pinball”. A demanda pelo jogo tem crescido desde 2010.
Cada máquina construída pela Stern tem 3,5 mil peças e leva 32 horas para ficar pronta. As unidades-padrão saem por US$ 5 mil (em torno de R$ 8 mil) e as edições limitadas custam quase US$ 7 mil. Nos Estados Unidos, o grosso das vendas é para clientes que desejam ter seu próprio pinball em casa, mas no exterior ainda é significativo o volume das vendas para bares e casas de fliperama. As exportações incluem destinos como Reino Unido, Espanha, Itália, França, Alemanha, Áustria, China e Austrália. “E, de vez em quando também o Brasil”, informa a empresa.
Gary Stern, não só um veterano da indústria do pinball como, hoje, o único empreendedor a empunhar essa bandeira no mundo, prefere crer que sua indústria não depende exclusivamente de uma onda de saudosismo ou de um fugaz modismo retrô. Evidência disso é seu jogo favorito: “o que está hoje em produção”. Nada de olhar para o passado, ainda que o auge de toda a indústria só possa ser enxergado pelo retrovisor.
Site:
http://www.sternpinball.com/